domingo, 20 de julho de 2025
[Relato encontrado em um dispositivo primitivo]
terça-feira, 13 de maio de 2025
Arrumando as malas
sexta-feira, 9 de maio de 2025
Showmício
quarta-feira, 7 de maio de 2025
Culinária noturna
terça-feira, 29 de abril de 2025
Sonhei com Clarice
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
Arroz eterno
terça-feira, 28 de janeiro de 2025
Antigamente tudo era preto e branco?
terça-feira, 21 de janeiro de 2025
Coca-Cola KS
quinta-feira, 16 de janeiro de 2025
Almoço com cerveja
segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
O clube da molecada
sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
Apertamento
terça-feira, 22 de outubro de 2024
A bala
(Manhã)
- E aí cara, trouxe a parada?
- Tá aqui!
- Cara! Que legal! Isso é a coisa mais legal que eu já vi na minha vida!
- É mesmo. Não te falei que era maneiro?
- Hehe. Demais cara! Mas como que a gente vai fazer pra detonar ela?
- Acho que vou bater nela com uma pedra.
- Mas e se ela explodir e te machucar?
- Explode nada, a gente mira pro outro lado e tá tranquilo.
- Cê tem certeza?
- Claro! Cê tá com medo, cara?
- Não, claro que não! Só tô preocupado com você.
- Pode ficar tranquilo que não vai acontecer nada comigo.
- Beleza então. Vai lá!
- Porra! Essa merda não detona.
- Cê não deve tá batendo com bastante força.
- Então olha agora. Vou bater com toda a minha força.
- Ah! Cê tá muito fraquinho. Me dá essa pedra aqui!
- Ué! Cê não tava com medo?
- Já falei que não! Eu só tava preocupado.
- Então toma aqui! Quero ver se cê é mais forte que eu.
- Cê não tava batendo direito. Vou te mostrar como que eu tava falando pra bater.
- Vai lá, fortão!
- Vou mesmo!
- Ih! Alá! Não é de nada também! Tirou a maior onda e na hora H nada.
- Ah! Vai a merda!
- Como que a gente vai fazer pra essa porra atirar?
- Sei lá, caralho!
- Que que cê acha da gente pôr na linha e esperar o trem passar em cima?
- É! O trem tem mais força que essa sua mãozinha de boiola. Hahaha.
- E a sua?! Cê também não conseguiu, sua bichona. Hahaha.
- Vamo deixar de bobeira e vamo pro centro pôr essa merda na linha do trem logo!
- Beleza! Vamo lá!
- Agora não, vamo depois do almoço. Já tá quase na hora, senão minha mãe vai me encher o saco.
- Beleza! Vou almoçar também.
- Então a gente encontra depois do almoço na pracinha.
- Tranquilo. Falou!
- Falou!
(Tarde)
- E aí? Vamo lá?
- Porra! Cê demorou pra caralho! Já tem meia hora que eu tô aqui!
- É que depois do almoço tive que dar uma cagada.
- Hahahaha! Cagão!
- Cê não caga, não, porra!
- Tô zoando, cara! Cê pega pilha fácil, hein?!
- Bora pra lá então!
- Bora!
- É aqui ó! Melhor lugar pra pôr. O barulho do trem e a buzina não vai deixar ninguém ouvir.
- Vem cá pra trás do muro, mas despista pra ninguém perceber.
- Esse trem tá demorando muito. Será que hoje ele não passa?
- Passa sim. É que a gente tá nervoso, aí parece que demora mais.
- Mas eu não tô nervoso. Eu sou macho.
- Até parece.
- Sou mesmo! Mais macho que…
- Olha lá ele!
- Até que enfim!
- Não fica olhando. Faz de conta que a gente tá fazendo outra coisa.
- Não tô olhando.
- Tá sim! Cê tá dando na pinta pra caralho!
- Tá chegando!
- Vou ficar olhando pro outro lado.
- Eu não. Quero ver o que vai acontecer.
- Porra! Que barulhão! E aí, como foi? Deu pra ver?
…
- Responde cara! Levanta cara! CARAAAAAAAAAAAA!
sexta-feira, 9 de agosto de 2024
AQUELE jeito
Tem gente que, quando vai contar alguma coisa para a gente, conta de uma maneira que dá a impressão de que tudo o que ela fez foi melhor do que o que a gente faz. Não estou falando de pessoas que contam vantagem, que se gabam ou se acham superiores, mas daquelas que descrevem o que fizeram “com gosto”.
Todo mundo já conversou com alguém que contou como foi o seu dia, tudo pelo que passou e teve que fazer naquele dia, como ficou cansado, sem forças e sem disposição, mas que, quando chegou em casa, tomou AQUELE banho e saiu com as energias renovadas. Tem também quem conte que estava com muita fome e, quando foi almoçar, comeu AQUELA macarronada, ou qualquer outra comida, o que importa é a ênfase que a pessoa dá na hora de contar.
Acho que eu nunca tomei um banho, nem comi nada tão bom que tivesse merecido o adjetivo “AQUELE (A)” com essa ênfase toda. Já tomei banhos que foram revigorantes, mas nenhum deles foi AQUELE, já comi comidas deliciosas, mas nenhuma delas também foi AQUELA. Talvez eu não esteja fazendo essas coisas do mesmo jeito ou no mesmo lugar que as tais pessoas que contam fazem.
Para falar a verdade, acho que nem essas pessoas chegaram a tomar um banho ou a comer algo tão bom assim, o jeito como elas contam é que parece criar um outro mundo dentro das nossas cabeças, onde tudo é melhor. Elas gesticulam de uma maneira diferente enquanto descrevem o banho que tomaram e falam com a boca cheia d’água e como se estivessem sentindo o sabor enquanto descrevem as comidas que comeram. É tudo o jeito. E eles têm o jeito. AQUELE jeito.
segunda-feira, 8 de julho de 2024
Por que você bebe?
sábado, 29 de junho de 2024
Entre a Broca e a TV
Sou uma pessoa que tem medo de dentista. Até o barulho da broca, mesmo fora da boca, já faz os meus dentes doerem. Enquanto estou na sala de espera, fico inquieto, não folheio revistas, não aceito copo d’água e, cada vez que escuto aquele barulho, quase vou embora. Algumas vezes já fui. É psicológico isso, não tem explicação.
Quando finalmente sou chamado, primeiro finjo que não escutei, mas na segunda ou terceira vez não dá mais para fingir, tenho que ir. Antes de sentar na cadeira, puxo tudo quanto é tipo de assunto, elogio a decoração, pergunto pela família etc, até que o dentista quase me empurra na cadeira e diz: “- Então vamos lá, né?!”.
Assim que me sento, meu corpo começa a ficar todo duro, um calafrio passa pela minha espinha e todos os pelos do meu corpo ficam arrepiados. Mas é quando o encosto vai abaixando e a cadeira vai subindo que as mãos se travam nos braços dela e o suor começa a escorrer, parecendo que eu acabei de sair do banho e ainda não me enxuguei.
Foi então que surgiu a pergunta que mudou tudo:
- O que você quer assistir?
- Como assim?
- Na TV, enquanto a gente faz o seu tratamento.
- Que TV?
- Aquela alí no teto.
- Você tem uma TV no teto?!
- Sim, agora todos os consultórios de dentista têm.
- Tem tanto tempo que não vou num dentista que nem sabia, isso pra mim é novidade.
- Então, o que vai querer assistir?
- Nada. Nada não. Obrigado.
Pronto! Agora eu tinha um novo medo: o de a TV cair em cima de mim. Tentei aparentar naturalidade enquanto a gente estava conversando, mas não sei se consegui disfarçar. Acho que quanto mais a gente tenta, mais a gente acaba demonstrando.
Desse momento em diante, eu já não conseguia pensar nem enxergar outra coisa a não ser a TV. Era como se eu estivesse dentro de um quarto totalmente vazio onde só tinha eu, deitado na cadeira, e a TV, no teto, pronta para cair. Às vezes até parecia que ela dava umas balançadas, como se fosse uma pessoa ameaçando me dar um soco.
Uma voz disse: “- Prontinho, acabou!”. Era o dentista. Ele já tinha terminado o meu tratamento e eu não tinha percebido. Não senti nada. Não escutei nada. Nem a broca!
quinta-feira, 27 de junho de 2024
Verde e rosa
segunda-feira, 20 de maio de 2024
Churrasquinho
Quem vinha por aquela rua calçada, com certeza passava pela barraca de churrasquinho que ficava no passeio, encostada no muro de um terreno baldio. Era uma daquelas barraquinhas com a estrutura toda de barras de ferro que se encaixam para montar e coberta por um plástico preto grosso. Uma tábua de madeira que ficava apoiada em cima das duas laterais servia como balcão, onde ficavam a pequena churrasqueira a carvão preta feita em ferro fundido e algumas garrafas vazias de refrigerante e cerveja para mostrar quais eram as opções de bebidas, já que não tinha cardápio. No caso do churrasquinho, era de boca mesmo, tinha que perguntar.
Um senhor, que estava sempre de boné, fazia tudo sozinho: descarregava a mercadoria, as ferragens, os isopores e tudo mais, montava a barraca, preparava os churrasquinhos e atendia os fregueses. Ele trazia as coisas na sua velha Caravan e na carretinha que vinha engatada nela. Dizia que gostava do que fazia, gostava de trabalhar e que já tinha formado todos os seus filhos vendendo churrasquinho, não ficou rico, mas nunca faltou nada em casa. Dava para notar que ele gostava muito de conversar também, contava sua vida inteira e era cheio de histórias.
Da primeira vez que fui na barraquinha, eu ainda era criança e foi meu pai quem me levou. Foi mais ou menos assim:
- Opa! Tudo bom menino?
- Tudo bom, moço.
- Hoje o papai te trouxe, né?
- É.
- Boi, porco ou frango?
- Frango!
- Passa no vinagrete?
- Aham.
- Passa na “areia”?
- Areia no churrasco?
- É farofa! - respondeu meu pai rindo.
- Ah! Então pode. Bastante “areia”!
- Tá na mão! Coca?
- Quero.
- Taí, geladinha! Manda ver!
Foi o churrasquinho mais gostoso que eu já tinha comido e acho que até hoje ainda é. Ainda são 4 gominhos de carne no espetinho de madeira, a mesma churrasqueira, o mesmo vinagrete e a mesma “areia”. Eu fico rindo da reação das pessoas à pergunta “Passa na ‘areia’?”. Poucas coisas mudaram, a Coca deu lugar à cervejinha gelada e as histórias agora eram sobre o pai que trabalhou até o último dia da sua vida naquela barraquinha.
segunda-feira, 13 de maio de 2024
Empada de queijo
Um dia eu estava numa lanchonete comendo uma empada de queijo e ouvi uma pessoa falar que os homens geralmente não gostam de empada, mas as mulheres sim. Não disse o motivo e nem deu mais nenhuma explicação, apenas “deixou no ar”. Fiquei com isso na cabeça. Gosto muito de empada, ainda mais se for a de queijo, e isso me intrigou.
Sou um apaixonado pela empada de queijo desde criança, é uma paixão que chega a ser quase amor. Desde a primeira vez que coloquei uma na boca, ela já foi entrando e ocupando um lugarzinho no meu coração, como se fosse um quartinho que estava disponível para aluguel há muito tempo e finalmente tinha aparecido um inquilino que paga em dia, não faz barulho e não reclama de nada. Acho curioso ela ser a única que não tem aquela “tampinha” de massa cobrindo, o recheio dela é exposto, e isso parece que influencia a minha vontade de comer, eu vejo o recheio e parece que já começo a sentir um pouco do gosto. Ela é honesta, não tem nada para esconder.
A empada é um dos salgados mais populares do Brasil, ela é feita com aquela massa podre deliciosa que desmancha na boca e com todo tipo de recheio que a gente pode imaginar: frango, camarão, palmito, carne moída, queijo, etc. Agora tem até empada doce! No lanche da tarde ou em festinhas de aniversário de criança, numa confraternização ou num coffee break, ela é presença certa e indispensável, quase obrigatória. Por que os homens não iriam gostar? Será que as mulheres têm uma sensibilidade diferente da dos homens também em relação à empada? Será que eu tenho um lado feminino quando se trata de lanchar?
Passei a observar as pessoas que entram nas lanchonetes onde estou lanchando e o que elas pedem. Não foi por uma semana, por um mês, trimestre ou semestre, foi por anos. Nunca vi um homem pedir uma empada.
sexta-feira, 12 de abril de 2024
Salgado no saco de papel
Toda vez que pego um ônibus, para qualquer bairro que seja, sempre tem alguém comendo uma coxinha ou um pastel num saco de papel pardo com uma mancha úmida de gordura. A pessoa abre o saco, puxa o salgado um pouco para fora, dá uma mordida, passa a língua entre os lábios para tirar os farelos, enfia o salgado de volta no saco e começa a mastigar, tampando a boca com umas das mãos. Tudo isso com uma postura encurvada, quase corcunda, e um olhar desconfiado para os lados, como se estivesse comendo escondido, com medo de alguém pedir um pedaço. Eu que não seria. Nem aceitaria se me oferecesse. Mas só pelo egoísmo, fico desejando que tenha uma baita duma azia.
Acho que nem todo mundo pára para pensar com mais frieza nos detalhes da forma que deveria. Além do ônibus não ser o local mais indicado para se fazer um lanche, por causa da quantidade enorme de gente que colocou as mãos no mesmo lugar que você, pessoas de higiene duvidosa, por exemplo, não se pode esquecer que você pegou no dinheiro para pagar o salgado e a passagem. Qual foi a mão que segurou aqui e ali? Qual foi a que pegou no dinheiro? Qual vai segurar o saco engordurado? Qual vai puxar e enfiar o salgado de volta no saco?
Quando vejo uma pessoa comendo naquele lugar, tudo isso passa pela minha cabeça e meu estômago já fica embrulhado. Se estiver com fome, perco o apetite na hora. Mas ela, não! Ela está lá, com aquela mão suja, se deliciando com aquele salgado como se ele fosse a refeição mais deliciosa desse mundo, tão gostosa que vai mastigando, mastigando, mastigando e nunca engole. Na maioria das vezes demora uns 10 minutos para dar mais uma mordida. Sempre deixando cair um monte de farelos na blusa que, se for de lã, que é a que agarra mais, acaba virando uma árvore de Natal de casquinhas de pastel, pedacinhos de carne moída, fiapinhos de frango, entre outros “enfeites”.
Mas o pior de tudo mesmo é a pessoa ser egoísta. Apesar de estar comendo um lanche gorduroso, sujo e babujado, ela acha que todos os outros passageiros do ônibus estão mortos de fome a ponto de não conseguir esperar chegar ao destino para comer alguma coisa e cobiçam seu salgado como se ele fosse a última comida disponível na face da Terra. Cada vez que o ônibus pára em um ponto, parece que dá para ver escrito na cara dela: “menos um” ou “menos dois”.
Chega uma hora que, por estar satisfeita, ou por estar com muito medo de dividir, a pessoa simplesmente pára de comer, guarda o restante no saco, dobra ele várias vezes e guarda dentro de uma bolsa ou mochila para terminar mais tarde. O que acontece depois, nunca vou saber. Eu sempre desço antes.
quarta-feira, 10 de abril de 2024
Raquete de matar pernilongo
A raquete de matar pernilongo me proporciona um certo prazer. Confesso que acho esse prazer um tanto quanto estranho, mas sei, também, que o compartilho com muitas outras pessoas. Lá no meu prédio mesmo, já ouvi aquele estalo que ela produz quando algum inseto encosta na sua trama eletrificada vindo de janelas de diversos apartamentos. Tem dias que parece até que estou jogando tênis com um dos meus vizinhos, eu dou uma raquetada de cá e escuto o estalo da raquete dele de lá. Outros dias tenho a impressão que estou ouvindo metralhadoras.
A responsável pelo desenvolvimento dessa raquete deve ser a indústria do entretenimento, que quis trazer a emoção dos videogames para a vida real. Eles pensaram em tudo: elementos do esporte, de jogos de estratégia e de guerra. Caçamos sem precisar de uma licença, nem curso para aprender a utilizar uma arma de fogo. É uma "diversão" que ajuda a descarregar nossa raiva, sede de vingança e a suar um pouco, assim como no esporte.
Existe um ditado que diz que "a vingança é um prato que se come frio", mas quando se trata de pernilongos, a minha vingança é em forma de churrasco. Já disse que eu mesmo acho estranho, mas o prazer de ver aquele mosquito agarrado na raquete enquanto a gente segura o botão e ele vai torrando, deixando subir uma fumacinha, inseticida nenhum é capaz de proporcionar.
Sou sádico? Sou! Mas esse bicho também é. A gente acaba de espantar e ele volta para a nossa orelha. Uma picada na perna ou no braço é ruim, coça, mas o zumbido na orelha é só para atrapalhar a gente a dormir mesmo, ele nem pica ali. Só estou jogando o jogo dele.